Pelo bem da comunicação da espécie

         É inacreditável a quantidade de pessoas que fala absurdamente errado. E é inacreditável o tamanho incômodo que eu sinto ao ouvir ou ler esses erros. 

         Talvez poucos saibam que eu fiz uma mudança radical de curso na faculdade. Eu estava na metade do curso de Jornalismo quando resolvi mudar para Engenharia de Produção e, todos podem imaginar o quão discrepante é um curso do outro. Pois bem. Jornalistas aprendem a escrever com perfeição, são várias técnicas e regras que grudam no nosso modo de escrever e talvez no modo de falar também (não que isso tenha acontecido comigo, não estudei o suficiente pra isso); jornalistas lêem com bastante freqüência, aliás, a leitura é a principal escola pra uma boa escrita, enfim, são profissionais treinados pra isso – e mesmo assim, muitos se formam sabendo quase nada a respeito disso. Mas, imagine, saí de um curso como o descrito anteriormente e fui pra um curso onde só se sabe calcular. Eu fico me perguntando como os engenheiros sabem escrever seu próprio nome, porque a situação é complicada, é sério. Os caras são feras nas exatas, mas salvo raras exceções, engenheiros são umas portas quando o assunto é linguagem. Ainda bem que Engenharia dá mais dinheiro que Letras.

       Claro que, em dias de conexão 24h com a internet, é natural que nós adquiramos novos hábitos na escrita, e algumas vezes, por conseqüência, na fala. São hábitos perdoáveis, já que qualquer um que tenha acesso a internet – e a maior parte da população já tem – irá entender perfeitamente o sentido da mensagem transmitida. Tudo bem, aí alguém pode dizer que “se o sentido da mensagem está sendo bem entendido, a língua está correta, o português tem dessas coisas”… Agora, permitam-me uma expressão da gíria: não mete essa. 

        Então, vá lá você, senhor professor de biologia, renomado e respeitado professor, e dê uma palestra sobre as conseqüências do Novo Código Florestal, por exemplo, e veja se não observarão a perfeição do seu português. E olha que a sua profissão não tem nada a ver com isso, hein!

        Tudo bem, estou exagerando. Provavelmente um bom professor de biologia, principalmente um palestrante, saberá falar a nossa língua com bastante beleza e clareza. Mas isso é fundamental a qualquer um, convenhamos. É bem feio um aluno corrigir a professora que escreveu no quadro “…mas maior seria…” dizendo que “não existe MAIS MAIOR”. De fato, “mais maior” não existe, mas não saber a diferença entre MAS e MAIS é horrível. E isso é bastante comum nas salas de aulas dos cursos de Engenharia, veja só.

        E, voltando ao assunto da internet, erros como não saber diferenciar MAS e MAIS, A GENTE e AGENTE, SE NÃO e SENÃO, entre outros, não são devido ao excessivo uso de internet, porque quem sabe fazer essas distinções, as faz em qualquer lugar. E é lógico que esse tipo de erro não afeta a nossa compreensão da mensagem, mas não adianta, isso nunca vai entrar na minha cabeça. Ninguém vai me convencer de que mesmo falando errado, pode estar certo. 

"Que é o casamento atual senão uma instituição sociológica, evolutiva como tudo que diz respeito aos seres vivos, sofrivelmente imoral e muitíssimo ridícula? O casamento do futuro não há de ser este contrato draconiano, estúpido, que assenta na promessa solene daquilo exatamente que não se pode fazer. (…) Hipotecar um futuro incerto, menos ainda, improvável, com a ciência de que a hipoteca não tem valor, será tudo quanto quiserem, menos moral. Amor eterno só em poesias piegas. (…) Encasaca-se, paramenta-se um homem, orna-se de flores simbólicas uma mulher, e lá vão ambos à igreja, em pompa solene, com grande comitiva: para quê? Para anunciar em público, em presença de quem quiser ver e ouvir, a repiques de sino e som de trompa, que ele quer copular com ela, que ela quer copular com ele, que não há quem se oponha, que os parentes levam muito a bem… Bonito! E a multidão de velhos e moços, machos e fêmeas, de olhos encarquilhados e dentes à mostra em riso alvar, dando-se cotoveladas maldosas, segredando obscenidades! Seria ridículo, se não fosse ato, sujo.
O amor é filho da necessidade tirânica, fatal, que tem todo o organismo de se reproduzir, de pagar a dívida do antepassado segundo a fórmula bramática. A palavra amor é um eufemismo para abrandar um pouco a verdade ferina da palavra cio. Fisiologicamente, verdadeiramente, amor e cio vêm a ser uma coisa só. O início primordial do amor está, como dizem os biólogos, na afinidade eletiva de duas células diferentes, ou melhor, de duas células diferentemente eletrizadas."

� Júlio Ribeiro, em A Carne (1888)

(Source: jenniferhom, via magicfran)

(via wolf189)

(não comemorativo) às mulheres

Mulheres, entendam: ter um dia da mulher não é legal, não significa reconhecimento, muito menos significa que somos melhores. Pelo contrário, mostra que o preconceito ainda existe e que nem tão cedo teremos igualdade entre os sexos. Se houvesse igualdade o dia nem existiria e, quando não mais existir, aí sim poderemos comemorar, porque vai provar que realmente a mulher conquistou por inteiro o seu espaço. É como cotas para negros nas faculdades, só mostra que a discriminação é presente todos os dias.
Mas é claro, é bom que o dia seja lembrado, não só pela origem dele, mas principalmente para atentar que o preconceito existe e está longe de acabar. E nem as próprias mulheres ambicionam tanto este fim, porque eu não vejo mulher trabalhar com carros em oficinas mecânicas, menos ainda em construções civis, ou seja, “igualdade” é só o nome.
Comemoremos sim, a liberdade já adquirida e o espaço ainda maior que vem pela frente, que só depende de nós conquistá-lo, seja gerenciando uma empresa ou sujando a mão de graxa nas oficinas.